Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Faltam Galerias de Águas Pluviais!!

Buracos continuam um mês após início da ação municipal


Um mês após o início da Operação Tapa-Buracos, população continua sofrendo com os transtornos na buraqueira e a falta de Galerias de Águas Pluviais.



A Operação Tapa-Buraco completou, na última segunda-feira, um mês, mas a pavimentação de Fortaleza continua em estado crítico. Além de deixar o trânsito da Capital ainda mais lento e gerar necessidade de reparos nos veículos por conta do excesso de trepidações, já houve buracos dos quais alguns carros não conseguiram sair, trazendo enorme prejuízo aos motoristas.


O Diário do Nordeste tem acompanhado de perto as dificuldades que a “buraqueira” traz à população, sempre apontado as situações mais graves. No dia 9 de janeiro, por exemplo, já mostramos a situação da Avenida Oliveira Paiva, próximo à Igreja da Glória. Ontem, a reportagem visitou o mesmo local e o problema persiste. Na avenida, um engarrafamento é formado constantemente somente por causa dos buracos. Tomando todo um lado da via, os carros praticamente param para conseguir passar.

Ontem, alguns pontos da cidade, sempre criticados pela população, que pioram a cada dia, foram visitados. Na Avenida Paulino Rocha, após o viaduto sobre a BR-116 e na Rua Santa Liduína com Américo Rocha, no Parque São José, os buracos são os causadores dos engarrafamentos. A recepcionista Michele Neves, que mora há quase dez anos no bairro, diz que o problema nunca foi totalmente sanado. “Todo ano, depois das chuvas, o asfalto fica totalmente estragado. Parece que a qualidade é ruim”.


O buraco no cruzamento das ruas Almeida Prado e Pereira de Miranda, no Papicu, no qual um carro ficou preso após afundar o asfalto no dia 25 de maio, continuava aberto ontem, quase um mês depois.


Na Rua Pereira Miranda, inclusive, vários outros buracos foram abertos pela própria Prefeitura de Fortaleza para corrigir problemas de drenagem.


Apesar da população continuar reclamando de tantos buracos, a Prefeitura de Fortaleza faz um balanço positivo do primeiro mês. O relatório apresentado pela Operação Tapa-Buracos afirma que 340 obras foram executadas, incluindo aplicação de asfalto, recuperação de pavimento e reparos no sistema de drenagem.


A Prefeitura afirmava que os trabalhos prosseguia mesmo com a greve dos servidores da Usina de Asfalto, iniciada no dia 15 e encerrada ontem.


Por isso, estão sendo priorizadas as obras para recuperação do calçamento. Além disso, uma empresa contratada continuaria produzindo o material para dar apoio à Usina de Asfalto. Conforme Daniel Lustosa, coordenador do Transfor, que também está à frente da Operação Tapa-Buracos, para dar andamento aos trabalho, nas vias que exigem asfalto a Prefeitura está executando obras de drenagem.


OBRAS DE MELHORAMENTOS (?)

Conclusão prevista para 90 dias


A Prefeitura de Fortaleza continua sustentando do prazo previsto para a conclusão da primeira etapa da operação, que era de 90 dias. Conforme o Transfor, estão sendo priorizadas as vias por onde circula o transporte público. Na Avenida Leste-Oeste, por exemplo, a Prefeitura iniciou as obras na última semana. Conforme o Transfor, as recuperação irá beneficiar 73 mil usuários das dez linhas de ônibus que circulam diariamente na avenida.

Com um investimento anunciado de R$ 22 milhões, a operação Tapa-Buracos espera contar com 73 equipes nas ruas, quando atingir seu pico. Serão 653 pessoas trabalhando em consertos de microdrenagem, pavimentação e na aplicação de asfalto. A partir da segunda etapa, a população poderá informar e solicitar reparos em vias secundárias que ainda não tenham sido contempladas pela operação.


Durante a “Tapa-Buracos”, a Usina já produziu e aplicou cerca de 7 mil toneladas de asfalto em avenidas como Via Expressa, Dedé Brasil, Duque de Caxias e Perimetral.


Bairros beneficiados


Na SER I, pelo menos seis bairros já foram contemplados, como Monte Castelo, Moura Brasil, Vila Velha, Barra do Ceará, Álvaro Weyne e Carlito Pamplona. A Regional II já recuperou pontos como Praça Portugal e Beira-Mar. Na III, houve reparos nas ruas Santo Amaro, Maria José Teixeira e Tenente Lauro. Na SER IV, foram contemplados os bairros de Fátima, Itaoca, Montese, Itaperi, Serrinha, Demócrito Rocha, Damas e Parangaba.

Na SER V, obras estão sendo realizadas na Avenida Central. Já na VI, a recuperação ocorre na Rua Santa Lucrecia e na Jornalista Tomaz Coelho.


Outras intervenções estão sendo realizadas ainda no Ellery, Jardim Iracema, Aldeota, Meireles e Papicu, Antônio Bezerra, Henrique Jorge, Itaperi, Montese, Conjunto Ceará, Genibaú, Granja Portugal, Curió, Parque Manibura e Passaré.


IMAGENS DA CIDADE



Cratera completará um mês de existência.


Recuperação lenta: quase um mês após aberta, quando um carro afundou no asfalto, em 25 de maio, a cratera na Rua Almeida Prado continua existindo. O buraco já diminuiu em profundidade, mas falta calçamento e aplicação de asfalto, sendo ainda um transtorno para os motoristas que precisam trafegar pela área. Na Rua Pereira de Miranda, que cruza a via, vários outros buracos foram abertos pela Prefeitura de Fortaleza para realizar trabalhos de drenagem.



Engarrafamento por conta de crateras


Parque São José: forma-se um verdadeiro engarrafamento na Rua Santa Liduína, no cruzamento com Santa Marlúcia. Os veículos são obrigados a quase parar para passar pelo local sem maiores danos. De acordo com os moradores da área, diversos acidentes já ocorreram este ano na tentativa de desviar da buraqueira.








Problemas no pavimento mesmo quando não chove


Oliveira Paiva: a buraqueira da avenida, na altura da Rua Alberto Leal, se estende por quase 20 metros e ocupa um lado da pista. A população afirma que, mesmo quando não é período de chuva, os buracos continuam abertos. Via que já tem trânsito intenso nos horários de Pico, a Oliveira Paiva é ainda mais prejudicada por esses buracos





Commentário do Blog: Não bastam Operações Tapa-Buracos todos os anos, pois o que a cidade precisa urgentemente é de investimentos em drenagem, com um Programa para a construção de Galerias de Águas Pluviais que possam comportar as águas despejadas em nossas ruas e avenidas, durante o período chuvoso, pois o que acontece é que a precipitação pluviométrica em Fortaleza é literalmente despejado sobre nossos bairros, e nossas autoridades assistem e ficam torcendo para que os rios que se formam corram para onde o nariz aponta.


Fonte: Diário do Nordeste

Renata Benevides

Repórter

Domingo, 21 de Junho de 2009

Trilha Urbana em Fortaleza



(Clique na imagem para ampliar)


















Fonte: Blog do Wanfil

Sábado, 30 de Maio de 2009

Guia para uma cidade esburacada

Guia para dirigir em Fortaleza

Com tantos buracos espalhados por ruas e avenidas de todas as regiões de Fortaleza, é preciso dirigir com mais cautela que o usual. Para saber como ter menos prejuízos no veículo ao dirigir pela cidade, confira uma série de dicas do piloto de rali Armando Bispo, colunista do O POVO.

Cruzamento entre ruas Padre Antonio Tomás e Tibúrcio Cavalcante, na Aldeota, está cheio de buracos. Este ano, nem mesmo bairros da zona nobre ficaram imunes aos buracos(Foto: EVILÁZIO BEZERRA)
A buraqueira na malha viária de Fortaleza transforma as ruas em pistas off-road. Para saber como diminuir a chance de acidentes e prejuízos no veículo, nada melhor do que a orientação de um piloto profissional de rali. Armando Bispo, que assina a coluna 4x4, na editoria Gol!, do O POVO, começa pelo básico: frear ou não diante de um buraco? Depende. “Se você vier com menos de 40 km/h, a melhor coisa é frear e deixar o carro passar devagar. Se estiver com mais velocidade, perto dos 60 km/h, não freie. O carro vai cair no buraco com o impacto de seu peso total, é ainda pior para a suspensão. Nesse caso, quanto mais rápido, melhor”, ensina Bispo.

A Física explica. Quanto mais rápido se move um corpo, mais leve ele fica. Portanto, nunca freie em cima de um buraco. Se não der tempo para reduzir o suficiente para que o carro passe em segunda marcha, siga com velocidade para diminuir o impacto. Vale lembrar que uma freada brusca também representa risco de acidente. “Pode acabar em colisão”, diz Bispo.

Outra dica do piloto é tentar “fazer a leitura do buraco” medindo a distância entre os pneus para passar com o buraco entre as rodas. Observe também a sua forma. Os arredondados são menos perigosos do que os que têm quinas. “Com os pneus bem calibrados, dá pra passar praticamente com qualquer velocidade nos arredondados”.

Essa é outra dica importante: manter a calibragem em dia. Em uma cidade esburacada como se encontra Fortaleza hoje, ela deve ser mais alta do que a habitual, entre 28 e 30 libras. O pneu cheio fica mais duro e resiste melhor aos buracos. “Embora a suspensão sofra um pouco mais, você corre menos risco de perder o pneu. Com menos de 25 libras, o aro morde a borracha quando cai no buraco”, diz Bispo. Com a calibragem baixa, a quina do buraco encosta no aro, comprimindo o pneu. O desgaste pode ser gradual ou então o pneu pode rasgar de vez. “Nessa época é bom conferir a calibragem uma vez por semana”, recomenda Bispo.

A buraqueira costuma desalinhar a direção e as rodas. Se o motorista sente que o carro está puxando para a direita ou para a esquerda numa rua plana ou se a direção trepida, é bom procurar logo uma oficina. Um carro desalinhado desgasta mais os pneus, reduzindo muito a vida útil deles. O serviço de alinhamento custa em torno de R$ 30, um jogo de pneus vale pelo menos dez vezes mais. O protetor do carro, que resguarda o carter do veículo, também deve ser consertado sempre que um buraco danificá-lo.

“Protetor é para quebrar mesmo, mas, quando ele amassa, pare na oficina. Não deixe amassado, porque, na próxima vez que você cair em um buraco, a batida vai ser no carter, que protege a base do motor onde fica depositado o óleo”, explica Bispo. Vazamento de óleo é um problema mais sério, eleva a temperatura do carro e, em casos mais graves, pode danificar o motor.

Enquanto a chuva não para, os buracos se multiplicam e o asfalto desaba, a recomendação básica é dirigir mais devagar, com cautela. “Assim, você tem tempo para não deixar o carro cair abruptamente num buraco”, orienta Bispo. Em dia de chuva, a atenção deve ser redobrada, porque os espelhos d’água cobrem as armadilhas. Se a água estiver rente ao asfalto, dá para seguir em baixa velocidade sem maiores problemas. “Mas se a água estiver muito acima do nível do asfalto, tenha mais cuidado. Um bom truque é esperar alguém passar num carro do tamanho do seu”, ensina Bispo.

MANUAL PARA DIRIGIR NA BURAQUEIRA

GUIA DE DIREÇÃO
> 1. Se o carro estiver rápido, numa velocidade em torno de 60 km/h, não diminua ao avistar um buraco. Nesse caso, quanto mais rápido melhor. A frenagem aumenta o impacto da queda.

> 2. Se o veículo vem em velocidade baixa, perto dos 40km/h, freie e reduza para a segunda marcha. “Depois que você sentir que o carro caiu, acelere para sair. Não deixe o carro cair abruptamente”, ensina o piloto Armando Bispo.

> 3. Qualquer manobra ou desvio para fugir de um buraco podem causar colisões. Dirija atento.

> 4. Ao cruzar uma rua alagada, repare na altura da água. Se estiver perto do meio-fio, tenha mais cuidado. O piloto Armando Bispo ensina um truque: “Espere alguém passar com um carro parecido com o seu e vá atrás”.

GUIA MECÂNICO
> 5. Calibre os pneus uma vez por semana, de preferência antes de rodar muito. Nessa época, mantenha a calibragem mais alta, entre 28 e 30 libras.

> 6. Em Fortaleza, mesmo sem chuva, os mecânicos aconselham a fazer o alinhamento do carro a cada 10 mil quilômetros. Num carro popular, o alinhamento sai em torno de R$ 35.

> 7. Sempre que sentir a direção puxando ou trepidando ou perceber que os pneus estão se desgastando de forma desigual, faça o alinhamento.

> 8. Os danos causados por um buraco podem aparecer dias depois. Quando cair num buraco maior, verifique o estado dos aros, observe problemas de alinhamento na direção e barulhos nas rodas.

> 9. Nessa época, dirigir com pneu careca é ainda mais perigoso. Em dias de chuva, o risco de derrapagem ao frear aumenta. A pista alagada também pode fazer o carro aquaplanar. O pneu perde aderência e o carro desliza.

FONTE: Dicas de Armando Bispo

E-MAIS

> Os seguros de automóveis cobrem prejuízos provocados por buracos, alagamentos e outros problemas agravados com a chuva. “Se o carro for inundado, afetando o motor e o estofamento, se cair uma árvore com um vento forte, se for preciso guinchá-lo de um buraco, tudo isso tem cobertura. Já fiz indenizações desse tipo esse ano. De motor, bem umas dez, inclusive de perda total”, afirma o corretor Augusto Vasconcelos. Mesmo assim, o cliente fica no prejuízo porque tem de arcar com a franquia e perde o desconto de 10% a 20% ao refazer o seguro.

NÚMEROS

R$ 180
é quanto chega a custar o serviço de cambagem em oficinas de Fortaleza.

R$ 30
é a média de preço do serviço de alinhamento na cidade.

R$ 5
é a média de preço do serviço de balanceamento por roda.

Fonte: O POVO

Sábado, 2 de Maio de 2009

Blogueiros denunciam buracos em Fortaleza


Emílio Moreno

Fortaleza está cheia de buracos. Isso é fato e fácil de comprovar. A Prefeitura de Fortaleza diz que não pode realizar a operação tapa buracos enquanto o inverno não terminar. É, mas alguns dos buracos já “viviam” em Fortaleza há bastante tempo. A malha viária da cidade está desgastada há anos. A quantidade de carros circulando e a falta de novas vias de acesso acabam colaborando para a destruição do já tão fraco asfalto.

Pensando numa forma de protesto, os blogueiros: @rcarneiro @rodrigogalba @rafaelgaldino @cmilfont @marioaragao @natanaelpantoja e eu (@emiliomoreno), decidimos mobilizar quem circula pela cidade e tem acesso à internet, para apontar no Google Maps, os #buracosfortaleza (buracos de Fortaleza). A organização do movimento foi feita pelo twitter e tem também a finalidade de alertar as pessoas para os pontos esburacados.
protesto e alerta para os motoristas

O grupo de blogueiros decidiu que além de mapear, vai registrar como puder (vídeo, fotos, posts) os buracos e partir para a blogagem coletiva (este é o post número 1), onde cada participante pode expor o seu ponto de vista sobre esse problema para quem anda de carro, ônibos e até a pé.

A ideia é antiga, há duas semana o jornalista Helcio Brasileiro sugeriu à jornalistas que fizessem o mesmo levantamento. Já na época do aniversário de Fortaleza, no início deste mês, @marioaragao manifestou a vontade de registrar em fotos, 283 buracos e mapeá-los no Google Maps como homenagem a idade da cidade.

Como fazer?

Independente de ter blog ou não, estar no twitter ou não, qualquer pessoa pode indicar o seu buraco “preferido”, aquele em que você é obrigado a passar todos os dias. Basta acessar o mapa, estar logado numa conta do Google (GMail, por exemplo) e apontar. Para manter a order, foi padronizada a tag #buracosfortaleza. Depois de apontar o trecho esburacado, a pessoa escreve a tag e daí descreve a localização do detalhes. Vale até desabafo.

Na primeira tarde em que o mapa foi disponibilizado, rapidamente surgiram colaborações de internautas. Inicialmente de áreas mais citadas são a partir do Centro de Fortaleza para Messejana. O outro lado da cidade ainda não tem indicações de buracos, mas espero que logo as pessoas desses bairros colaborem também.

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Justiça Acionada

Em casos de alagamentos, quedas de postes ou cabos sobre o veículo, o dono pode e deve acionar o poder público

Qualquer cidadão que teve o veículo avariado pelas fortes chuvas que estão caindo em Fortaleza, danificado pelas águas que invadiram o interior do carro, foi atingido por uma queda de árvore ou foi engolido por um buraco, por exemplo, pode acionar a Prefeitura na Justiça e exigir indenização pelos prejuízos. A recomendação é da coordenadora do Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública do Estado, Ana Cristina Soares Alencar.

A defensora pública do Estado esclarece, no entanto, que o ente público (Município ou Estado) só pode ser acionado em algumas situações. Isto é, “se o alagamento da via pública ocorreu em razão do Município de Fortaleza não ter cumprido com suas obrigações, por exemplo, não desentupiu os bueiros da rua e não agiu preventivamente, pode incidir a responsabilidade do ente público sobre os danos causados ao veículo invadido pelas águas das chuvas”, argumenta.

Foi o caso, por exemplo, da universitária Priscila Lopes, que passou momentos de desespero na última terça-feira, quando viu seu carro ser engolido pelo mar de águas. Como a estudante, os motoristas lesados podem entrar na Justiça. “As pessoas que não tiverem recursos financeiros para arcar com as custas processuais e com o advogado, devem procurar o serviço da Defensoria Pública para ter seus direitos assegurados”, aconselha.

Seguro

No caso dos proprietários de veículos com seguro, “vai depender do contrato com administradora, uma vez que chuva é considerada um caso fortuito ou força maior da natureza, uma vez ocorrido, exclui a obrigatoriedade da seguradora de indenizar pelos danos, exceto se estiver uma cláusula prevendo esse tipo de cobertura”, afirmou a defensora pública.

As pessoas que colocarem o carro na oficina para consertar, “precisam se documentar para comprovar as despesas e ser ressarcida dos prejuízos”, diz Ana Cristina Alencar. Como a indenização é por dano moral, a defensora pública diz que o cidadão vai contabilizar todas as despesas do período que ficar sem o carro, incluindo os gastos com transporte (ônibus, táxi ou aluguel de carro).

Seguro total

Outra opção para os motoristas que tiveram o carro danificado pelas chuvas é acionar a administradora de seguro. “Apenas os seguros com cobertura total, a chamada cobertura compreensiva, dão direito a esse tipo de indenização em casos de alagamentos ou queda de postes, cabos elétricos e árvores sobre o veículo”, alerta Marco Aurélio de Sena, proprietário da Correa & Sena Corretora de Seguros Ltda.

Neste caso, o segurado deve comunicar a ocorrência o quanto antes ao corretor para acionar a seguradora e solicitar o guincho para o carro.

Dependendo da gravidade dos danos, as despesas do conserto podem sair mais salgadas para o bolso do proprietário do veículo que ficou “boiando” na rua alagada, como ocorreu com a estudante Priscila Lopes. “Uma coisa, no entanto, é certa: se demorar, estraga mais”, diz o chefe de Mecânica da Ceará Autos, Sávio Ferreira.

“Estamos com nove carros para consertar, com motor batido devido as chuvas da última terça-feira”, relata o chefe de Mecânica.

Os casos mais simples, quando a água atingiu apenas a tapeçaria, Sávio Ferreira diz que as despesas oscilam entre R$ 500,00 até R$ 2 mil. Se houve dano parcial do motor e vai precisar de retífica, os gastos sobem para R$ 7 mil.

QUANDO RECORRER
Casos em que a pessoa pode recorrer à Justiça
quando é constatado, por exemplo, que ruas e avenidas ficaram alagadas devido aos bueiros entupidos e, não houve ação preventiva por parte do ente público para evitar esses problemas nos dias chuvosos

O ente público (Município ou Estado) também podem arcar com as despesas decorrente de queda de árvores ou de fios elétricos sobre veículos estacionados em vias públicas

Buracos ou crateras cobertos pelas águas das chuvas e que provocaram danos aos veículos também são alvo de processos na Justiça

Veículos que foram arrastados pelas águas das chuvas e tiveram perda total ou parcial do veículo podem recorrer na Justiça para serem indenizados pela Prefeitura de Fortaleza

VÍTIMA DAS ENCHENTES
Mulher morre afogada em Canindé

A doméstica Francisca Sousa Ferreira, de 51 anos, residente na comunidade de Poço da Pedra na zona rural de Canindé, é a primeira vitima das enchentes ocorridas nos últimos dias nos Sertões daquele município. Em dois dias choveu na região mais de 400 milímetros. Uma chuva no dia 24 de abril choveu 228.3 milímetros. Já no dia 25 choveu 212.0 mm, o suficiente para deixar a região debaixo d´água.

De acordo com a filha da aposentada, Francisca Adriana Ferreira, sua mãe sumiu no último sábado após tentar atravessar o rio que se encontrava com o nível muito alto.

O corpo da mulher, foi encontrado somente ontem à tarde, por volta das 13h, pelos populares na localidade de Batoque, já no município de Caridade em adiantado estado de decomposição.

A falta de acesso tornou a remoção do mais difícil, isso porque as estradas estão danificadas pelas chuvas. O perito do Instituto Médico Legal Renato de Oliveira autorizou a ida apenas do gavetão no carro do Corpo de Bombeiros, para que o corpo da vítima fosse removido para o necrotério.

O Delegado Regional de Polícia Civil de Canindé, Francisco José Ferreira Braúna, irá instaurar inquérito policial par apuar a causa morte. Nas regiões de Canindé, Caridade, Itatira e Paramoti as áreas ribeirinhas foram destruídas, e as famílias desabrigadas estão nas casas de parentes.

Acúmulo de água

De acordo com nota publicada ontem pela Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), o número de açudes sangrando muda a todo instante. Dos 131 monitorados pela Cogerh, 90 já estão sangrando e o volume acumulado já chega a quase 16 bilhões de metros cúbicos, um recorde desde a criação da Companhia, em 1993, o que representa acúmulo de mais de 89% de água nas 11 Bacias que compõem o Estado do Ceará.

Ontem, mais dois açudes sangram, o São José II, no município de Piquet Carneiro e o Araras, em Assaré.

CAMPANHA DA FECOMÉRCIO
Doações para famílias atingidas

As chuvas que caem em Fortaleza já afetaram a vida de pelo menos 1.568 famílias que vivem em áreas de risco. Sensibilizado com a situação das vítimas, o presidente da Federação do Comércio do Ceará (Fecomércio), Luiz Gastão, lançou uma campanha para arrecadar donativos entre os associados da entidade.

A expectativa de Luiz Gastão é angariar alimentos não perecíveis, como cesta básica, colchonetes, redes, mantas, roupas, calçados, material de limpeza e eletrodomésticos para serem distribuídos às famílias atingidas pelas chuvas.

O presidente da Fecomércio disse que está iniciando a campanha de solidariedade entre as vítimas das chuvas da Capital cearense, mas já orientou as unidades do Interior do Estado para também ajudarem aos desabrigados dos municípios “Esperamos que haja um envolvimento maior da população e, para isso estamos colocando a logística do Programa Mesa Brasil à disposição da defesa civil para socorrer as vítimas”.

O coordenador da Defesa Civil do Município, Alísio Santiago está confiante no sucesso da campanha por conta do espírito de solidariedade do cearense e recorda que a campanha para ajudar desabrigados de Santa Catarina arrecadou 23 mil quilos de alimentos e roupas.

“Agora, chegou a vez da população ajudar os desabrigados cearenses da Capital e do Interior”, frisou Santiago.

SUELEM CAMINHA
Repórter

Mais informações:
Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública do Estado
3101.3434

Procon/CE
08002758001

Doações:
Na sede da Fecomércio (Av. Duque de Caxias, 1701) ou para unidades do SESC

Domingo, 26 de Abril de 2009

Menos Discurso, Mais Trabalho


Nossos governantes protelam há vários anos um planejamento para solucionar a questão dos alagamentos em Fortaleza. Os discursos são muitos, mas não passam de posturas efêmeras. Não precisamos ser especialistas em urbanismo ou drenagem para notarmos o descaso que é dedicado às nossas ruas e avenidas, e por tabela aos contribuintes. Não há necessidade de aguardarmos apenas uma precipitação pluviométrica, mais intensa, pois por menor que seja a chuva, para constatarmos a deficiência evidenciada nos rápidos alagamentos que se formam.

Uma capital como Fortaleza, que disputa com outras capitais do Nordeste a hegemonia no turismo litorâneo, não pode sujeitar-se ao nível deplorável de seu sistema de drenagem das águas pluviais. Não é apenas limpando rios e lagoas da cidade, que a Prefeitura resolverá as causas de inúmeros casos de inundação e destruição com a chegada das chuvas. Basta apenas assistir a uma aula do professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Fortaleza (Unifor) e diretor do Instituto dos Arquitetos do Brasil- Seção Ceará (IAB-CE), Marcus Lima, para sabermos e entendermos que Fortaleza está em um estágio terminal no que envolve a questão de drenagem urbana. É um problema antigo, crônico e que se arrasta por anos a fio e que não foi tratado com a importância que merecia no decorrer dos governos, que permitiram e ainda permitem o total desrespeito à Lei de Uso e Ocupação do Solo, prejudicando, agredindo sensivelmente e comprometendo totalmente as taxas de permeabilidade.

Que bom seria se tivéssemos parte das águas de chuva absorvidas pelo solo e a outra canalizada adequadamente por e para um sistema de drenagem e captação de águas para os bueiros ao longo dos meios-fios e não apenas nas esquinas e cruzamentos, pois a grande maioria de ruas ou avenidas não possui desnível para tais locais. Como dizem os mais antigos "a água corre para onde o nariz aponta".

Que bom seria se tivéssemos a notícia de que a Prefeitura e os órgãos competentes fiscalizariam com rigor, tecnologia e aplicação da lei para as ligações clandestinas que descarregam indevidamente água da chuva no sistema de esgotamento sanitário da cidade.

Partindo desta constatação, é facil compreender ruas e avenidas com água fétida empoçada durante horas e dias, pois não há o nivelamento adequado da água para o bueiro mais póximo, isso quando ele existe. Como exemplo, podemos citar um caso inaceitável que é a Avenida Heráclito Graça, no trecho próximo ao cruzamento entre as ruas Antonio Augusto e João Cordeiro, que já foi cenário de alagamentos históricos. Naquele local há uma cratera entre o meio-fio e a calçada em frente a uma grande oficina de automóveis, e ao que nos parece já foi no passado um bueiro. Este é apenas um dos retratos do descaso como é tratado o cidadão, pois se uma pessoa cair ali, fatalmente sofrerá algumas fraturas, se não ocorrer algo mais grave. Tal buraco, segundo mecânicos e pessoas que transitam por ali, já possui mais de uma década de existência, e até a presente data ninguém apareceu para dar um fim naquela armadilha. O que estão esperando, um acidente fatal?

No mesmo trecho também há uma destruição constante e acelerada do calçamento do canteiro central da avenida, por que a Prefeitura e seus órgãos subordinados já não fizeram um estudo para adequar aquela avenida com uma galeria de águas pluviais e bueiros à altura do volume de água que é acumulado com a chegada do período chuvoso?

Que bom seria se tivéssemos fiscalização e gente disposta a nos ouvir e trabalhar em prol da cidade. Em Fortaleza, a atual crise urbana é o efeito retardado de um histórico e equivocado processo de apropriação do espaço natural e dos recursos nele existentes. O controle do impacto da urbanização no aumento do escoamento, ocupação desordenada do solo e na degradação ambiental é uma responsabilidade atribuída a quem ocupa o espaço urbano e não transferida para o poder público.

Sábado, 18 de Abril de 2009

O pedestre também é cidadão

Nos grandes feriados vemos, sempre, noticiários relatando os números alarmantes dos acidentes de trânsitoE, a cada feriado, os números parecem piorar. Contudo, embora seja grave essa questão, a problemática do trânsito, no Brasil, se mostra mais ampla. Tratemos, aqui, da questão dos direitos no trânsito de Fortaleza, especialmente no que tange ao uso da faixa de pedestre. Embora os motoristas provem conhecer o Código de Trânsito Brasileiro, que inclui o art. 70: "Os pedestres, que estiverem atravessando a via sobre a faixa delimitada para esse fim terão prioridade de passagem...", não é a sua prática o que vemos diariamente.Para começar, os pedestres esperam todos os carros passarem para, depois, atravessarem a faixa branca. E, quando um motorista de bom coração ou consciente lhe dá prioridade, recebe os agradecimentos humildes e é abençoado pelo pedestre, mesmo que atrás daquele motorista alguém esteja a buzinar contra esse ato "idiota"... Algo parecido com o verso "Vamo comer", de Caetano: "Baiano burro nasce, cresce e não pára no sinal/ E quem pára e espera o verde/ É que é chamado de boçal". Privilégio que não é só deles.E essas pequenas aberrações de nossa vida urbana não entram nas estatísticas das mortes no trânsito porque o pedestre conhece bem nossos motoristas e pratica o "conheço meu lugar". Batem-se, nesse caso, de um lado, a boçalidade do motorista, armado de seu veículo de guerra com dezenas ou centenas de cavalos-vapor; de outro lado, um pedestre humilhado, ignorante e desprotegido, desconhecendo as mínimas regras do trânsito.É nessa hora que vemos como cenas aparentemente banais revelam nossa incivilidade coletiva e o despreparo ou descaso do poder público - no caso, a autoridade local de trânsito -, para com o processo educativo nas vias públicas. Aos motoristas caberia punição severa, aos pedestres, crianças, jovens e adultos, noções de cidadania. Diria mais, que se desloquem tantos fiscais dos estacionamentos e tocaias e os coloquem nas praças e cruzamentos para ordenar e educar os cidadãos.

Fonte: www. intelog.com.br, 26/03/2008, Marcos José Diniz Silva, professor da UECE.