Ah, a vida de pedestre... nada é mais duro e difícil do que a vida de quem caminha por aí nesse país de Meu Deus... nunca fui a Londres, mas posso falar com alguns anos de experiência acumulada e muitos cabelos brancos como é andar nas ruas de Fortaleza City, principalmente. E, para ser sincero, deveríamos não só ser isentos de pagar IPTU como receber um polpudo, generoso “Adicional de Insalubridade“ por sermos submetidos compulsória e inevitavelmente a transitar no que convencionaram a chamar de calçadas. Calçadas... trincheiras, solo lunar, Transamazônica na época das chuva torrenciais, acidente geográfico seriam termos um pouco mais adequados para caracterizar a parte das vias entre a pista de rolamento, primas daquelas em estado de conservação, e as testadas do lotes. É um festival intransponível de perigos e obstáculos sucessivos, imprevisíveis, disseminados por todos os cantos e meios, geralmente os mais críticos. São de uma variedade e uma riqueza absurdas, abrangendo todo gênero de ameaças. Desde as irregularidades do “terreno” , passando pela qualidade dos revestimentos, culminando nos obstáculos adicionados por fontes quase sempre inumanas. Buracos de todos os tamanhos e profundidades, esperando, à espreita, ávidos, por um tornozelo incauto, desavisado. Fagocitam seu pé e só o liberam após consumada a entorse ou fratura. A prefeitura tem a espantosa capacidade de escolher apenas espécies de árvores que crescem assustadoramente com o passar dos anos e que criam raízes mais profundas e espalhadas do que um siso incluso, as que implodem tudo o que é pavimentado sobre elas, ocupam todas as adjacências e só deixam espaço livre para as formigas passarem. E a escolha dos materiais a se revestir as pobres coitadas ? Quando, por absoluta preguiça, economia porca e falta de imaginação, não cimentam apenas, utilizam a nefasta herança da pedra portuguesa. Sim, aquela que permite fazer belíssimos desenhos e padrões no chão, bem como descolar metade das pedras, abrir rombos na calçada e ainda atirar as que ficam soltas em qualquer um que estiver passando na rua. Isso na época da ditadura era uma beleza... deve ter muito ex-milico fã dessa pedrinha... Alguns sádicos chegam ao requinte de colocar ardósia polida ou saldão de cerâmica na frente de suas casas. E devem molhar a calçada, com a desculpa de estarem lavando a entrada, e correrem, exultantes, pra dentro, e espiar pela fresta da janela, aguardando a primeira vítima que passará distraidamente, levando um escorregão daqueles tão veementes que a pessoa cai praticamente de cabeça pra baixo. Deve ter gente que tem prazer quase que erótico com esse tipo de coisa, não imagino outra explicação. Como se isso não bastasse, há os obstáculos adicionais. Ah, quanta riqueza, quanta variedade ! Lixos de todas as espécies, orgânicos, inorgânicos, grandes, pequenos, espalhados, amontoados, uma verdadeira democracia onde imundície de todos os gêneros convivem na mais perfeita desarmonia e bagunça. São caçambas e seus inseparáveis entulhos, papéis de todas as cores, texturas, gramaturas e timbragens, cascas de laranja com aquele agradável odor fermentado característico dos caminhões de coleta de lixo, cascas de banana, côco, produtos femininos de uso íntimo, masculinos, unissex e hermafroditas, canos de esgoto estourados, etc, etc, etc, etc... A lista é interminável. Mas o supra-sumo, a avant-garde das interferências são os cocôs de cachorro. Não existe arma mais letal e genocida do que o excremento canino. Traiçoeiro, sorrateiro, mimetiza-se à visão e ao olfato, só liberando seu fedor acre depois que você sente sua consistência pastosa sob a sola do seu tênis ou sandália. Alguns, julgando sua perversidade insuficiente, ainda lhe fazem escorregar, lançando-lhe ao chão, estatelado. Inutilizam seu calçado, a barra da sua calça ou mesmo sua meia, até mesmo seu pé desnudo e desafortunado. Ainda não consegui imaginar uma punição justa o suficiente para os donos de bolas de pêlo que deixam a obra escatológica de seus descendentes intocadas para nós, pedestres, mas imagino, só imagino, como seria andar no meio de alamedas perfeitamente pavimentadas e ladeadas por palmeiras ou coqueiros muito bem limpas e cuidadas. Ah, a utopia andante...
sábado, 29 de março de 2008
quarta-feira, 26 de março de 2008
Frente Parlamentar apresenta propostas de mudanças para MP 415
Hoje, quarta-feira (26/3), os integrantes da Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro se reúnem com o deputado Hugo Leal (PSC/RJ), relator da medida provisória n° 415, que proíbe a venda de bebidas alcoólicas nas rodovias federais. A reunião está marcada para as 14h30min, no plenário 15 do anexo II da Câmara. Eles deverão sugerir mudanças na MP. Deputados da Frente pretendem incorporar no projeto de conversão novas regras para punir com mais rigor motoristas embriagados envolvidos em crimes de trânsito. Essas regras estão previstas num projeto de lei apresentado em dezembro pela Frente, que prevê prisão em flagrante sempre que o motorista dirigir embriagado, participar de racha, conduzir em acostamento ou na contramão ou ainda acima da velocidade permitida.
Além disso, aumenta a pena de detenção para homicídio culposo e prevê pena de reclusão - de cinco a doze anos - e suspensão ou proibição de habilitação em casos agravantes de homicídio (motorista embriagado, participação em racha ou ultrapassagem em local proibido).
O coordenador da Frente, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) defende mais rigor no CTB, como reduzir a zero a tolerância de álcool consumido pelo motorista. “Pouco adianta o governo ser duro com os comerciantes das rodovias - alvos da MP 415 - se não consegue ser eficiente na fiscalização do motorista infrator e no cumprimento da lei. Nós vamos fazer o nosso papel de aperfeiçoar a legislação.”
Além disso, aumenta a pena de detenção para homicídio culposo e prevê pena de reclusão - de cinco a doze anos - e suspensão ou proibição de habilitação em casos agravantes de homicídio (motorista embriagado, participação em racha ou ultrapassagem em local proibido).
O coordenador da Frente, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) defende mais rigor no CTB, como reduzir a zero a tolerância de álcool consumido pelo motorista. “Pouco adianta o governo ser duro com os comerciantes das rodovias - alvos da MP 415 - se não consegue ser eficiente na fiscalização do motorista infrator e no cumprimento da lei. Nós vamos fazer o nosso papel de aperfeiçoar a legislação.”
domingo, 23 de março de 2008
Pedestres dividem pista com automóveis
O ato de atravessar uma rua pode ser muito arriscado para os pedestres. Faz parte do dia-a-dia as reclamações de motoristas que trafegam em alta velocidade, não respeitam as faixas de segurança e atravessam o sinal vermelho. No entanto, em alguns locais da cidade tentar andar na calçada também pode representar um risco, principalmente quando ela deixa de existir. A esquina localizada entre as ruas Eduardo Garcia e Barbosa de Freitas é um exemplo claro, e um caso emblemático.
Naquele ponto, cruzamento das duas ruas, local de grande fluxo de pedestres, não há calçada e o cidadão é obrigado a transitar na faixa de rolagem, expondo-se ao risco de atropelamentos. Uma casa avança sobre o espaço que deveria ser ocupado pela calçada. Ao pedestre não resta outra opção a não ser dividir a pista com os carros e motos.
O chef de cozinha Ney Agostinho afirma que se sente inseguro sempre que precisa passar por aquele ponto. “Os veículos e motos passam por aqui em grande velocidade e não há espaço para os pedestres. Imagine a dificuldade para pessoas com problemas de locomoção. Um cadeirante, por exemplo, é obrigado a passar pelo meio da rua”." Já presenciei pessoas serem abalroadaas pelo retrovisor do veículo, sofrendo luxação no braço".
Para o aposentado Leônidas Lima, o poder público deveria ter previsto esta situação. “Na época da invasão por parte da edificação, a fiscalização da Prefeitura já teria que ter pensado em um embargo e uma infração”, considera.
Frequentadores de caminhada no local afirmam que a curto prazo, a Prefeitura não tem muito o que fazer, já que o imóvel invadiu a área pública, não houve punição alguma e os anos se passaram, agora sómente a Justiça poderá reverter a situação que é um risco constante para os pedestres, haja vista o grande fluxo cada vez maior de veículos”.
Naquele ponto, cruzamento das duas ruas, local de grande fluxo de pedestres, não há calçada e o cidadão é obrigado a transitar na faixa de rolagem, expondo-se ao risco de atropelamentos. Uma casa avança sobre o espaço que deveria ser ocupado pela calçada. Ao pedestre não resta outra opção a não ser dividir a pista com os carros e motos.
O chef de cozinha Ney Agostinho afirma que se sente inseguro sempre que precisa passar por aquele ponto. “Os veículos e motos passam por aqui em grande velocidade e não há espaço para os pedestres. Imagine a dificuldade para pessoas com problemas de locomoção. Um cadeirante, por exemplo, é obrigado a passar pelo meio da rua”." Já presenciei pessoas serem abalroadaas pelo retrovisor do veículo, sofrendo luxação no braço".
Para o aposentado Leônidas Lima, o poder público deveria ter previsto esta situação. “Na época da invasão por parte da edificação, a fiscalização da Prefeitura já teria que ter pensado em um embargo e uma infração”, considera.
Frequentadores de caminhada no local afirmam que a curto prazo, a Prefeitura não tem muito o que fazer, já que o imóvel invadiu a área pública, não houve punição alguma e os anos se passaram, agora sómente a Justiça poderá reverter a situação que é um risco constante para os pedestres, haja vista o grande fluxo cada vez maior de veículos”.
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