O tempo das carroças ainda não chegou ao fim. Se até meados do século XX ainda era possível circular com carroças de luxo, nos dias de hoje quem tem pouco dinheiro anda no mínimo de transporte público.
Entretanto é fácil compreender que quem circula com carroças está atendendo a emergência de sua própria subsistência. Não existem mais carroças imperiais. O que se vê nas ruas e avenidas de Fortaleza é um desfile diário e uma lamentável realidade de miséria, com carroças de madeira barata e, outras de pedaços de ferro muitas vezes, toda remendada para a coleta de determinados tipos de lixo, movidas principalmente por tração humana, e o pior algumas transportando crianças, colocando em risco vidas, pois não há o mais simples equipamento ou mecanismo que possa sinalizá-los à noite, evitando possíveis colisões (Vide foto).
Carroceiros convivem e dividem em nossas ruas e avenidas, faceiramente, espaço com veículos e pessoas, sem o menor cuidado, critério ou preocupação por parte de autoridades ou fiscalização, o que já tem acarretado alguns acidentes como o que aconteceu semana passda com a irmã de um amigo.
Surgiu no Distrito Federal, e foi copiado por diversas capitais, o Projeto "Carroceiro Legal, Cidade Limpa", uma tentativa que até certo ponto poderia ser chamada de esquisita, mas que teve como foco regularizar os carroceiros de Brasília. A idéia foi desenvolvida pela Polícia Civil do Distrito Federal, em parceria com o Departamento de Polícia Circuscricial, da 27ª. Delegacia de Polícia, além da Seção de Polícia Comunitária. Segundo essas instituições de segurança, as carroças atrapalhavam bastante o trânsito da Capital Federal, colocando em risco iminente pessoas e veículos.
O projeto, nada mais é do que uma proposta para ordenar uma atividade que é problemática em todo o país, e que poderia modestamente ser implantado aqui em Fortaleza, pois é apenas uma tentativa de minimizar os riscos que os carroceiros enfrentam e ao mesmo tempo representam ao trânsito de nossa cidade. Mas que, nem de longe, vise solucionar o que, na verdade, é um grave problema social, não apenas de trânsito.
Subsistência - Mesmo tendo partido de um entendimendo entre a população e as autoridades, o projeto brasiliense não é lei, tampouco um projeto de lei. Teoricamente, a intenção dos responsáveis não seria punir os carroceiros, mas educá-los quanto às leis de trânsito.Além da regularização dos veículos, o GDF está oferecendo aos condutores de carroças, por meio do Detran, curso sobre regras de trânsito. A saúde dos animais de tração também recebe atenção especial. Técnicos da Secretaria de Agricultura colherão material para a realização de exames clínicos e de sangue, além de aplicar vacina contra raiva.
