sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Carroças x Trânsito

O tempo das carroças ainda não chegou ao fim. Se até meados do século XX ainda era possível circular com carroças de luxo, nos dias de hoje quem tem pouco dinheiro anda no mí­nimo de transporte público.




Entretanto é fácil compreender que quem circula com carroças está atendendo a emergência de sua própria subsistência. Não existem mais carroças imperiais. O que se vê nas ruas e avenidas de Fortaleza é um desfile diário e uma lamentável realidade de miséria, com carroças de madeira barata e, outras de pedaços de ferro muitas vezes, toda remendada para a coleta de determinados tipos de lixo, movidas principalmente por tração humana, e o pior algumas transportando crianças, colocando em risco vidas, pois não há o mais simples equipamento ou mecanismo que possa sinalizá-los à noite, evitando possíveis colisões (Vide foto).

Carroceiros convivem e dividem em nossas ruas e avenidas, faceiramente, espaço com veículos e pessoas, sem o menor cuidado, critério ou preocupação por parte de autoridades ou fiscalização, o que já tem acarretado alguns acidentes como o que aconteceu semana passda com a irmã de um amigo.

Surgiu no Distrito Federal, e foi copiado por diversas capitais, o Projeto "Carroceiro Legal, Cidade Limpa", uma tentativa que até certo ponto poderia ser chamada de esquisita, mas que teve como foco regularizar os carroceiros de Brasí­lia. A idéia foi desenvolvida pela Polí­cia Civil do Distrito Federal, em parceria com o Departamento de Polí­cia Circuscricial, da 27ª. Delegacia de Polí­cia, além da Seção de Polí­cia Comunitária. Segundo essas instituições de segurança, as carroças atrapalhavam bastante o trânsito da Capital Federal, colocando em risco iminente pessoas e veículos.

O projeto, nada mais é do que uma proposta para ordenar uma atividade que é problemática em todo o paí­s, e que poderia modestamente ser implantado aqui em Fortaleza, pois é apenas uma tentativa de minimizar os riscos que os carroceiros enfrentam e ao mesmo tempo representam ao trânsito de nossa cidade. Mas que, nem de longe, vise solucionar o que, na verdade, é um grave problema social, não apenas de trânsito.


Subsistência - Mesmo tendo partido de um entendimendo entre a população e as autoridades, o projeto brasiliense não é lei, tampouco um projeto de lei. Teoricamente, a intenção dos responsáveis não seria punir os carroceiros, mas educá-los quanto às leis de trânsito.Além da regularização dos veículos, o GDF está oferecendo aos condutores de carroças, por meio do Detran, curso sobre regras de trânsito. A saúde dos animais de tração também recebe atenção especial. Técnicos da Secretaria de Agricultura colherão material para a realização de exames clínicos e de sangue, além de aplicar vacina contra raiva.


Em Fortaleza não pode ser diferente, eles circulam pelas ruas coletando lixo para a própria subsistência. É um problema social e não podemos virar as costas para ele.As carroças também não combinam com nossas ruas e avenidas. Em alguns pontos da cidade a velocidade permitida é relativamente alta. Isso é um grande perigo. De comum acordo poderiam ser proibidas de circular por horários pré-determinados. Um carro desviando da carroça, é uma cena comum em todo o Brasil. Uma possí­vel solução para o caso seria termos um sistema de coleta de lixo verdadeiramente eficiente. Se houvesse uma conscientização maior em relação a isso, os próprios carroceiros poderiam ser absorvidos por esse mercado. Mas podemos ir mais longe. Além da iniciativa do projeto, é preciso que as autoridades de trânsito façam parte da ação, oferecendo palestras para esclarecer as normas de trânsito e, sempre se necessário, punir os carroceiros que não cumprirem a lei. Os animais, caso sejam utilizados pelos carroceiros devem, ainda, ser bem tratados e não podem ficar soltos na beira de pistas. Para isso, é preciso que haja uma fiscalização mais efetiva e para que isso aconteça precisamos de MOBILIZAÇÃO.